Qual a história da Lingua de Sinais no Brasil?
Libras é um idioma reconhecido do nosso país, com estrutura e regras próprias.
A partir do século XVI, começou um olhar diferente sobre os surdos, a ideia de não poderem ser educados foi sendo deixada de lado. A luta pela educação dos surdos ficou marcada pela atuação de um surdo francês, chamado Eduard Huet. Em 1857, ele veio ao Brasil a convite de D. Pedro II para fundar a primeira escola para surdos do país, chamada na época de Imperial Instituto de Surdos Mudos. Com o tempo, o termo “surdo-mudo” ficou em desuso por ser incorreto, e a escola funciona até hoje, com o nome de Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES.
A Libras foi criada junto com o INES, a partir de uma mistura entre a Língua Francesa de Sinais e de gestos já utilizados pelos surdos brasileiros. Ela foi ganhando espaço pouco a pouco, mas sofreu uma grande queda na propagação da língua no país em 1880. Um congresso sobre surdez em Milão proibiu o uso das línguas de sinais no mundo, acreditando que a leitura labial era a melhor forma de comunicação para os surdos. Isso atrasou, mas não fez com que eles parassem de se comunicar por sinais.
Com persistência e muita luta, a crescente busca por legitimidade da Libras voltou a ser aceita. Em 1993 uma nova batalha começou, com um projeto de lei que buscava regulamentar o idioma no país. Quase dez anos depois, em 2002, a Língua Brasileira de Sinais foi finalmente reconhecida como uma língua do Brasil.
A história recente

Nos últimos anos houve muitas leis e recomendações que buscaram regulamentar aspectos da língua de sinais para propagar seu o uso e garantir direitos à comunidade surda:
- 2004: Lei que determina o uso de recursos visuais e legendas nas propagandas oficiais do governo;
- 2008: Instituído o Dia Nacional do Surdo, comemorado em 26 de Setembro, considerado o mês dos surdos;
- 2010: Foi regulamentada a profissão de Tradutor e Intérprete de Libras
- 2015: Publicação da Lei Brasileira de Inclusão ou Estatuto da Pessoa com Deficiência, que trata da acessibilidade em áreas como educação, saúde, lazer, cultura, trabalho etc.;
- 2016: Anatel publica resolução com as regras para o atendimento das pessoas com deficiência por parte das empresas de telecomunicações;
- 2018: Lei que determina que empresas públicas devam ter interpretes de Libras
A história da comunidade surda não é apenas um registo de lutas e conquistas, mas um convite à ação. Ela mostra o quanto já avançamos e, sobretudo, aponta o que ainda precisamos construir. Ao conhecê-la, compreendemos que inclusão não é apenas um direito garantido em lei, mas uma escolha diária. O passado ensina, o presente convoca e o futuro depende do nosso compromisso em tornar a comunicação, o respeito e a acessibilidade uma realidade para todos.
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